sábado, 1 de junho de 2013

O tempo passa, vai passando.


Há semanas duras; semanas em que dias de oito horas passam a ter nove, dez, ou onze esgotantes horas. Semanas em que o tempo livre deixa de existir, em que a vontade de fazer alguma coisa que se veja se reduz ao tamanho de pouco mais do que uma pequena migalha. Semanas assim são cada vez mais raras na minha vida mas, infelizmente, de vez em quando gostam de dar o ar da sua graça e aparecer sem aviso. Esta foi uma delas.

Já é Junho. Entre outras coisas, isso significa que estou a menos de ano e meio até partir na minha viagem (esta); até poder dizer adeus a sete anos (muito bem) passados em Londres e até terminarem todos os hábitos e laços que fui criando nesta cidade ao longo desse tempo. Com este fim vem, principalmente, a oportunidade de começar do zero quando voltar - se decidir vir para Londres (estou entre isso ou Manchester). É esse motivo (e apenas ele) que dá algum sentido às horas passadas a trabalhar.

Junho marca então o começo de algo que eu tenho vindo a adiar há mais tempo do que aquilo que devia: o aperto do cinto. Estimei um orçamento de £15.000 para a viagem, que supostamente me irão durar qualquer coisa como ano e meio (calculando um orçamento de cerca de £1.000 por mês, mais coisa menos coisa). Estou neste momento a cerca de £10.000 de distância desse objectivo e o aperto do cinto já se fez sentir. O primeiro corte - por muito que me custe - foi nos concertos; o segundo na comida; e o terceiro nas viagens. É duro. Mas também tem tanto de duro como de estado de espírito, e eu sei que o esforço vai valer a pena.

Eu costumo dividir as minhas viagens em três fases que me satisfazem de formas diferentes: o planeamento, a concretização, e a conclusão por escrito (onde acabo, de certa forma, por reviver todos os momentos vividos na estrada). Estar já no primeiro vai, certamente, ajudar o tempo a passar mais rápido. Moscovo e Ulaanbaatar já estão fora do caminho. O Trans-Siberiano vai sendo planeado, assim como os primeiros passos na China, forma de chegar à Coreia do Sul e daí até ao Japão.

Quem diria que uma curta conversa com duas australianas num hostel em San Diego e, dias mais tarde, a imensidão do Grand Canyon me fossem - inconscientemente - lançar para tamanho desafio? Eu não; e sei que, no fundo, semanas duras como esta foi não passam disso. Cada semana que passa, dura ou não, é apenas menos uma semana até eu aterrar em Moscovo e dar início à maior jornada da minha vida. O relógio está a contar, o tempo vai passando e a força de vontade crescendo. Honestamente, eu sei que não pode ser de outra forma, e é isso que me mantém focado - dia após dia.

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