quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Pedras.
De todas as experiências por que já passei nos últimos trinta e um anos, posso afirmar com bastante certeza que nenhuma é tão reconfortante ou rica como o acto de criar, ou fazer acontecer. Desde passar da palavra à acção a suar o nosso próprio suor por algo em que acreditamos, ver um projecto nascer e sentir o orgulho de estar na presença de algo que tenha sido fruto do nosso esforço e dedicação. É uma sensação difícil de descrever, mas que vale todos os segundos investidos em alcançá-la.
No entanto, para todas as palavras de apoio, motivadoras ou de congratulação que se vai recebendo pelo caminho, há sempre um convidado que aparece sem ter sido convidado. Há sempre alguém que, sem o mínimo de consideração, se vai dar ao trabalho de criticar negativamente e deitar abaixo o resultado final de um processo que não foi curto e de um esforço que não foi em vão. Claro que "é a vida" e "faz parte", mas, apesar de tudo, não deixa de ser aquele arranhar de garganta desconfortável numa manhã fria de Inverno; algo que certamente poderia bem não existir, uma vez que não acrescenta nada de novo nem faz falta.
Independentemente do quer que esteja a ser criado, vai haver quem se vá divertir a colocar-lhe pedras à frente - seja durante o processo criativo ou após a sua conclusão. Já há algum tempo que aquilo que os outros pensam, a não ser que tenha sido inquirido por mim, me passa um pouco ao lado. Não que me queira abstrair de opiniões alheias, mas quanto mais importância lhes der, menos me concentro no produto final e deixo que o meu processo criativo seja interrompido. Mil boas opiniões não vão impedir que uma negativa tenha o impacto oposto e destrua por completo toda uma percepção criada ao longo desse processo. É difícil agradar toda a gente, tornando-se óbvio que o 'agradar' deve ficar apenas reservado para os que valorizam o trabalho que lhes é apresentado.
Traduzindo à letra parte de uma das minhas letras preferidas dos Gorilla Biscuits, "a chave do sucesso é a fé em saber que estamos certos", e é sempre nisso que penso. Vai haver sempre alguém que vai falar mal, vai haver sempre alguém que vai deitar abaixo e vai sempre haver alguém que nunca vai perceber, mas, para todos esses, vão haver outros tantos para provar que todo o esforço valeu a pena. Uma pedra é apenas isso, um obstáculo no caminho de algo muito maior e mais importante que qualquer atenção que lhe seja dada. Acreditar é a primeira, e mais importante, parte do fazer acontecer. Muito para além daquilo que os outros pensam, o mais importante é acreditarmos em nós mesmos e na nossa capacidade de levar um projecto até ao fim. O primeiro resultado nunca é o final e cada falhanço é uma lição que há-de ser útil num futuro próximo ou distante.
No outro dia alguém me perguntou se eu não me ocuparia demasiado apenas para ter alguma em que pensar, algo que me deixou - efectivamente - a pensar. Será esse o caso? Dias depois cruzei-me com esta frase e não poderia identificar-me mais com ela: "One of the finest protections against disappointment is to have a lot going on." É um pouco como jogar na lotaria, quanto mais apostares, mais chances tens de ganhar. Embora o prémio de uma lotaria tenha um maior valor monetário, nada bate a sensação de ter algo positivamente associado ao nosso nome e o reconhecimento que isso trás - é um facto contra o qual não há argumento possível. As pedras, bom, as pedras que vão colocando no meu caminho ao longo deste percurso, eu vou guardando-as no bolso, para um dia, quando estiver à beira de um lago, ver quantas vezes as consigo fazer ressaltar à tona da água antes de mergulharem para não mais serem vistas.
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